Brasil fecha 2025 com menor desemprego da história
Taxa de 5,1% em dezembro é recorde desde início da série em 2012, mas o que mudou na forma de medir?
2/9/20262 min read


Saiba o que mudou na metodologia?
1. Ampliação das categorias consideradas “ocupadas” nos índices de pesquisa.
A PNAD (Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílios) passou a incluir com mais peso formas de ocupação que antes não eram incluídas das pesquisas, como: trabalho por conta própria, trabalho intermitente, ocupações informais, atividades com poucas horas semanais.
Isso significa que mais pessoas entram na categoria “ocupadas”, mesmo que estejam em trabalhos de baixa renda, instáveis ou com poucas horas.
2. Redução do grupo considerado “desempregado”
Pela metodologia internacional, só é considerado desempregado quem: não tem trabalho, está disponível ou tem procurado emprego ativamente.
Quem desistiu de procurar, os chamados desalentados, não entra na taxa de desemprego, mesmo que esteja sem renda. Com o aumento do desalento em alguns períodos, a taxa cai artificialmente.
3. Crescimento do trabalho informal
O avanço da informalidade faz a taxa de desemprego cair, mas não significa melhora real da qualidade do trabalho. A metodologia considera ocupação informal como emprego, mesmo que: não tenha carteira, não tenha direitos, não tenha estabilidade. Ou seja: mais ocupação não significa necessariamente mais emprego de qualidade, ou maior renda per capita.
4. Revisões estatísticas e calibração de amostras
O IBGE atualizou algumas projeções populacionais, os pesos amostrais e os modelos de coleta pós-pandemia. Esses ajustes são normais, mas podem alterar séries históricas e gerar números mais baixos.
Então o desemprego caiu? Sim. mas é preciso contexto
A taxa realmente caiu, mas parte dessa queda se explica pela elevação do índice da informalidade, mais pessoas optaram por trabalhos autônomos, sem registro ou vínculo empregatício. O maior número de pessoas em ocupações com jornada reduzida, até mesmo trabalho intermitente, e menos gente procurando emprego ativamente. Ou seja: o número é real, mas não conta a história completa.
Por que isso importa?
Porque manchetes moldam percepções. E, quando falamos de mercado de trabalho, precisamos olhar além do número:
Como está a renda?
Como está a formalização?
Como está a produtividade?
Quantas pessoas desistiram de procurar emprego?
Quantos estão subocupados?
A taxa de desemprego é só uma peça do quebra-cabeça, é preciso zelar pelos direitos dos trabalhadores, a um emprego digno, e uma renda justa. A pesquisa não leva em consideração as condições dos subempregos, mas inclui em seus dados estatísticos, favorecendo a manchete.
Brasil fecha 2025 com o menor desemprego da história, mas o que mudou na forma de medir?
A manchete é forte: “Brasil encerra 2025 com o menor desemprego da história.”
Mas, antes de comemorar (ou criticar), é importante entender o que mudou na metodologia que calcula a taxa de desocupação no país.
Nos últimos anos, o IBGE passou por ajustes importantes na forma de medir o desemprego. E isso influencia diretamente os números divulgados.
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